União de Freguesias de Ponte da Barca, Vila Nova de Muía e Paço Vedro Magalhães União de Freguesias de Ponte da Barca, Vila Nova de Muía e Paço Vedro Magalhães

História

Ponte da Barca

Ponte da Barca enquanto freguesia nasceu a partir de um ponto de passagem no Rio Lima que permitia a continuidade do Caminho de Santiago, neste local, a todos os que chegavam de Braga e queriam seguir em direção a Santiago de Compostela ou Ourense.

Conhecida em tempos como Terra da Nóbrega, passou a chamar-se S. João de Ponte da Barca no século XIV, após a construção da ponte que ainda hoje liga as duas margens do Rio Lima. Já o foral manuelino foi entregue em 1513 permitindo um crescimento importante da vila, dando-lhe força enquanto espaço comercial.

Em termos de património, nesta freguesia é de destacar a Igreja Matriz (S. João Baptista), o pelouro Manuelino, a ponte medieval e ainda a Igreja da Misericórdia.

Sendo sede de concelho, é nesta freguesia que se localizam todos os serviços importantes para a população e que potenciaram o desenvolvimento e crescimento de Ponte da Barca enquanto vila.

Com uma população acolhedora e bairrista, Ponte da Barca é sinónimo de tranquilidade e prosperidade. Prevalecem as tradições, mas sempre com os olhos postos no futuro. No verão com a população emigrante de regresso, esta terra vive em festa e à espera do momento mais importante do ano, a celebração do padroeiro, S. Bartolomeu, a 24 de agosto.


Antigo Mercado - O Mercado Pombalino é uma obra singular, de grande valor arquitetónico, situado em frente ao Pelourinho. O « Abrigo Porticado », que ambienta a sua praça, foi edificado em 1752, com duas arcadas apoiadas em colunas, e destinava-se ao abrigo de comerciantes, barquei­ros e seus bens. É considerado o ex-libris da vila. 

 

Pelourinho de Ponte da Barca - Está classificado como Monumento Nacional. Poderá datar dos finais do século XVI e apresenta coluna de granito cilíndrica, antecedida por um soco de quatro degraus. Termina em esfera e cone embolado, do século XVIII, estabelecendo a transição entre o maneirismo e o barroco. Os elementos heráldicos aludem a D. Ma­nuel. A esfera apresenta as armas reais, a cruz de Cristo e as faixas da família dos Magalhães, donatários da vila.

 

Capela Nossa Senhora da Lapa - Pequeno templo do século XVII, com pedra de ar­mas dos Magalhães na fachada. Possui, no seu interior, talha da segunda metade do século XVIII.

 

Capela de Santo António - Insere-se de forma harmoniosa no centro da vila de Ponte da Barca. Testemunho da arquitetura religiosa, manei­rista e barroca, a Capela de Santo António data de finais do século XVII / inícios do século XVIII. De destacar o contraste entre a modinatura do óculo oval do frontispício e a do portal arquitravado e a rusticidade das molduras das janelas. No interior, salienta-se o retábulo-mor em talha dourada. O frontal do altar ostenta painéis com pintu­ras sobre madeira, em estilo maneirista, provavelmente do século XVII. O pavimento junto do retábulo-mor incor­pora tampas sepulcrais epigrafadas, setecentistas.

 

Capela de São Bartolomeu - É um edifício, cuja data provável de construção remonta ao século XVIII, tendo-se em conta a data inscrita no púl­pito: 1758. De estilo maneirista, a capela apresenta uma planta longitudinal retangular, principal em empena assente em pilastras, com sobreposição de cornijas. A janela recortada a encimar o portal remete para uma transformação posterior. No interior, destacam-se o púlpito e os frontais do supedâneo decora­dos com motivos fitomórficos relevados. O retábulo apresenta a edícula central ladeada e encimada por painéis pintados. Do lado do Evangelho, uma imagem de S. Bartolomeu sobre mísula em talha policroma.

 

Casa da Fonte Velha - De arquitetura banal, incaracterística, ostentando porém uma pedra de armas dos Silvas, Vasconcelos, Abreus, Limas, da segunda metade do século XVIII.

 

Casa de Farias - A Casa de Farias é um belo solar da segunda metade do século XVIII, com muro fronteiro, ameado, portal enci­mado pela pedra de armas, que ambienta o jardim e a habitação.

 

Casa de Santo António do Buraquinho - É um edifício da segunda metade de setecentos, dotado de uma bela fachada longa, e varandas com cachorra­das de rolos e com gradeamentos neoclássicos. Possui, também, uma capela lateral com retábulo da época. É na Casa de Santo António do Buraquinho que funciona, atualmente, o Centro Cultural Frei Agostinho da Cruz e Diogo Bernardes.

 

Casa na Rua José Lacerda - Edifício onde esteve durante largas décadas instalado o posto da G.N.R. – Guarda Nacional Republicana. A construção data da segunda metade do século XVIII. De arquitetura simples, mas vigorosa, a fachada está bem marcada pelas janelas bem delineadas e pela sua grande chaminé.

 

Casa Nobre do Correio Mor - Edifício do século XVII e arquitetura singela, ostenta belas varandas de ferro forjado seiscentistas. Esta casa é uma unidade de Turismo de Habitação.

 

Centro de Exposição e Venda de Produtos Regionais - É um projeto da Câmara Municipal de Ponte da Barca, que consiste na recuperação do edifício da antiga Cooperativa Agrícola, também designado pelo «Antigo Grémio ou «Tulha», e sua adaptação a centro de expo­sições e venda de produtos regionais. Alberga também no seu interior o "Solar do Vinhão", dedicado à comercialização deste vinho. Neste edifício, é possível ver em exposição e adquirir produtos tradicionais da região (vinho, mel, compotas, artesanato entre outros), e conta, também, com a presença de artesãos a desenvolver o seu trabalho neste local.

 

Cruzeiro do Curro - Classificado como Imóvel de Valor Con­celhio, o Cruzeiro do Curro data de 1831. No soco de quatro degraus quadrangulares, assenta o pedestal constituído por um pequeno plinto. A coluna, com fuste de secção circular, apresenta caneluras, levemente interrompidas a meia altura por molduras simples. Possui, por cima, uma esfera de igual ornamentação. Encima-a uma cruz latina com braços e haste quadrangular e com remate tronco piramidal. A cruz apresenta canelura nos braços e haste sub­linhando o contorno.

 

Fonte de São João - A Fonte de S. João, localizada na Rua Diogo Bernardes, caracteriza-se por ser uma fonte barroca de espaldar com pilastras laterais, encimada por cornija e com uma imagem num nicho central. Segundo inscrição gravada na fonte, o ano de 1501 marca a sua construção.

 

Igreja da Misericórdia - Fundada em 1534, a Igreja da Mise­ricórdia foi reconstruída de 1822 a 1844. Apresenta uma fachada da segunda metade do século XVIII, em estilo rococó, e uma varanda neoclássica.

 

Igreja Matriz de Ponte da Barca - A Igreja Matriz é também conhecida como Igreja de S. João Baptista. Foi reformulada entre 1717 e 1738 sob o traço do engenheiro vianense, Manuel Pinto Villalobos, que lhe deu uma ampla espacialidade barroca. Apre­senta uma planta longitudinal, de nave única, com seis capelas colaterais demarcadas, mandadas construir pelas principais famílias do concelho. A fachada é rematada por um relevo representando o Batismo de Cristo, obra do século XVII que deve ter pertencido ao edifício anterior. Destaca-se, no seu interior, a riqueza retabular e decoração. A talha do altar-mor é barroca, inserindo-se no estilo nacional e a capela de Nossa Senhora das Dores é rococó, sendo revestida a azulejos policromos. Hoje, este templo, classificado como Monumento Nacional, é lugar de culto e ocasionalmente, palco de alguns concertos de música clássica e orquestral. 

 

Lar Condes da Folgosa – Misericórdia de Ponte da Barca - É um edifício que testemunha a arquitetura assistencial, tendo servido como asilo eclético de finais do século XIX / inícios do século XX. Hoje, funciona como lar da 3ª Idade. Possui planta retangular, com capela adossada, igualmente, retangular. Desenvolve-se em três pisos, com frontaria de três corpos, com o central ligeiramente re­cuado e rematado por pequena cornija contracurvada e suportada por mísulas. Possui tetos rebocados e pintados de branco. No átrio de entrada, encontram-se algumas peças de mobiliário com bastante interesse: uma cadeira D. João V, com as armas da Misericórdia no espaldar, a bandeira da Misericórdia e telas retratando os Condes de Folgosa. Na sala do arquivo, encontra-se uma vitrina que expõe algumas peças em prata de elevado interesse artís­tico.

 

Antigos Paços do Concelho - Este é um belo exemplar do séc. XVIII, de construção apala­çada com dois pisos, de arquitetura sóbria e robusta. No rés-do-chão, recorta-se uma arcada de quatro arcos de volta inteira, funcionando como receção e abrigo. Apresenta, no segundo piso, doze janelas e possui, ao cen­tro, as armas reais.

 

Ponte sobre o Rio Lima - Classificada como Monumento Nacional, esta ponte constitui uma das mais notáveis obras construídas no Portugal medieval, da primeira metade do século XV. Ergue-se sobre o rio Lima, à saída da vila, separando o concelho de Ponte da Barca do de Arcos de Valdevez. Tendo sofrido fortes remodelações nos séculos XVIII e XIX, possui dez arcos quebrados ou plenos, desiguais entre si, e ao meio, duas lápides, uma com as armas de Ponte da Barca, outra com a esfera armilar. 

 

Ponte do Rio Vade - Esta ponte romana sofreu algumas alterações na época medieval e encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público.


Vila Nova de Muía

Vila Nova de Muía é terra de gente simpática às portas da sede de concelho. Território maioritariamente rural onde grande parte da população, ao longo dos anos, se dedicou à agricultura e à pecuária. Atualmente, possui uma área empresarial de acolhimento para empresas de pequena e média dimensão, que tem vindo a crescer permitindo um desenvolvimento diferenciador a esta terra rica em história e também em património.

Foi por volta de 1100, século XII, que foi fundado o Mosteiro de Santa Maria de Muía, por Godinho Fajes de Lanhoso, nesta freguesia de Vila Nova de Muía: Este Mosteiro teve uma importância significativa no desenvolvimento desta terra e por aqui passaram várias ordens religiosas, como os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, até à sua união à Congregação de Santa Cruz de Coimbra, em 1595.

Do seu património é de destacar a Igreja Matriz e o conjunto edificado do antigo Mosteiro, onde prevalecem vestígios da sua história medieval. Com arquitetura religiosa, românica. Igreja românica da 2ª fase do românico português que adota, entre outros elementos, a cabeceira quadrangular de tradição hispânica, aqui nitidamente aprofundada no séc. 18, e ao foco românico do Alto Minho. A decoração subsistente da cachorrada esculpida, cornija enxaquetada, friso de losangos, as folhas lanceoladas e as formas romboidais revelam-se típicas da construção da Ribeira Lima. A talha do retábulo da capela-mor é barroca e insere-se no chamado estilo nacional. A torre defensiva (com a interessante latrina que conserva) deve ser do final da Idade Média, enquanto a sineira é tipicamente renascentista, tal como também o é o frontispício.


Torre Defensiva, edifício que integra o conjunto da Igreja e conserva uma latrina medieval.

Igreja de Nossa Senhora da Guia é outro local de culto relevante na zona.


Paço Vedro Magalhães

De raízes nobres e medievais, Paço Vedro de Magalhães é citada desde as Inquirições de 1220, como S. Martinho de Paço Vedro. Originada em torno de um paço (solar) e associada à família Magalhães, foi uma das primeiras sedes paroquiais da região, integrando-se na história da Terra da Nóbrega e, posteriormente, na fundação de Ponte da Barca. 

O nome que, entretanto, começou a ser utilizado para designar esta freguesia, "Paço Vedro de Magalhães", é proveniente do paço nobre estabelecido por D. Alonsa Martins de Castelães ou D. Sancha de Novais, com quem casou D. Afonso Rodrigues. É ligada à nobre família dos Magalhães.

Beneficiou do foral Manuelino concedido à Terra da Nóbrega, em 24 de outubro de 1513.

No que ao seu património diz respeito, o Paço de Abreu Lima, ou Casa de Paço Vedro foi adquirida pelos comendadores da Ordem de Malta, frei António e frei Gonçalo de Abreu Lima, que construíram o atual solar brasonado, unido ao vínculo de Ribafeita, em 1774, século XVIII.

Atualmente, uma parte desta freguesia encontra-se em área urbana uma vez que o crescimento da sede de concelho acabou por favorecê-la com novas construções e serviços.

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